Arte e Arquitetura: Cityscapes / Tim Jarosz

Há cidades que contaminam nossos sonhos. Retalhos de memórias de infância; breves cenas em um piscar de olhos no dia-a-dia, como um haiku, durante a rotina mais densa; desejos de permanecer para sempre entre seus meandros, ou de voar longe deles, deixando para trás suas valas metálicas, seus edifícios fissurados, seus muros e ruas que se transformam desde que nasceram. Cenas que te perseguem, esteja onde estiver, invadindo o subconsciente, lembrando-te de onde é.

A cidade natal, com todos seus significados, está enlaçada ao indivíduo tanto que seu perfil, seus cheiros, seus crepúsculos, são parte da nossa mais profunda percepção daquilo que nos rodeia, fazendo com que vejamos o mundo através dela; através de como a sentimos, como a lembramos, a sonhamos; a ela, nossa cidade.

Lê-se este sentimento na obra do americano Tim Jarosz, que cria fantásticas paisagens urbanas com fotografia, colagem e modificação digital das cores e texturas. Este fotógrafo e digner gráfico procedente de Chicago expressa em suas imagens uma inexistente e nova Chicago, viva só em seu imaginário.

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A luz no fim do túnel: A reinvenção da Arquitetura na Espanha a partir da Crise

A Europa está em crise. Pelo que nos interessa, a Espanha está enterrada até o pescoço em toda lama da crise. A arquitetura, o setor mais afetado, nada nos pântanos da crise. Estamos fartos de falar da crise. Nós a encontramos de costas e sem esperá-la, chocou-se contra nossas mentes dormidas, a devoramos, a digerimos, a vomitamos.

Não necessitamos já do porquê, buscar os culpados, conhecer o quem, o como, o quando. Já sabemos de tudo.

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Arte e Arquitetura: Exploração Urbana / Jared Lim

Tudo muda a partir do ponto de vista do observador. Esqueceram de dizer que tudo muda também com a escala em que um ser humano é obrigado a observar. O mundo visto a partir de um ponto externo pode ser entendido como um organismo vivo. Um formigueiro de dentro, uma metrópole fantástica.

Educar um olho observador para abstrair as regras visuais criadas estabelecidas cria mundos inteiros à nossa frente, escondidos por trás do véu do hábito e da preguiça de olhar, procurando interpretar e expressar o nosso meio ambiente de forma diferente.

Hoje, em Arte e Arquitetura, trazemos os devaneios de Jared Lim, capturados com sua câmera e seu louco amor por padrões, fruto da descontextualização, da confusão da escala e de seu ponto de vista pessoal da arquitetura das grandes cidades .

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Arte e Arquitetura: Decadência / Matthias Haker

© Matthias Haker

Estas paredes falam. Aqui viviam pessoas. Aqui riram ou choraram. Havia banquetes, danças, beijos, pesadelos e tristezas. Aqui havia grandes histórias e pequenos momentos, agora coberto sob o peso da extinção, sob as sombras da decadência.

Algo apocalíptico dança entre as folhas secas que se acumulam na intersecção destas paredes, nas curvas sinuosas destas escadas. Algo assustador e, ao mesmo tempo, que chama para dentro, em direção à cena de um pôr do sol, fazendo a agonia da arquitetura.

Não é uma ruína. Nunca será esse acúmulo de pedras que parecem orgulhosos em qualquer praça, cercado por turistas armados com câmeras. Desmoronamento maquiado por restaurações, como quando uma mulher idosa que quer permanecer jovem e luta contra a passagem inexorável do tempo.

Estes edifícios não se vestem de vaidade, mas escondem seus segredos nas sombras. Mas, neste desamparo, também está escondida uma beleza íntima, descoberta pelo artista alemão Matthias Haker, que busca, acima de tudo para perpetuar este declínio lento, não só no filme fotográfico, mas onde se encontram silenciosamente, mantendo a destruição destas vênus arquitetônico .

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Arte e Arquitetura: Instalações / Esther Stocker

Até que ponto pode-se alterar o espaço arquitetônico?

Espaço. Esse conceito tão assumido na arquitetura. Esse germe gerador de toda a essência e hamonia arquitetônica. Projetado desde a estaticidade idealizada da mente do arquiteto, qualificado pela luz, ativado pela presença humana, variante.

E se a percepção deste espaço se altera? O que acontece quando a arte se mistura com a arquitetura numa única abstração? Hoje entramos no conceito de Instalação de Arte Contemporânea. Nesta disciplina artística, a obra se compõe por uma interação indissociável entre o próprio espaço como meio e o fato a expressar. Assim, encontramos projetos que utilizam como meio a paisagem natural (em inglês, land art), o entorno urbano (instalação urbana), o próprio espaço arquitetônico de exposição, como é o caso.

Obra com vocação de mudança: o resultado será diferente dependendo do espaço em que ele se situe e o diálogo com ele mesmo. Por sua vez, o rígido espaço construído mudará sua linguagem e expressão graças a suas entranhas criadoras de experiências sensoriais.

Dentro desta disciplina, apresentamos a obra da italiana Esther Stocker, que altera a leitura da arquitetura que a abriga através da confusão, influenciada pelas correntes cubistas.

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